sábado, 30 de junho de 2012


Via Láctea

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
                                             Que conversas com elas? Que sentido
                                             Tem o que dizem, quando estão contigo?"

                                             E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
                                             Pois só quem ama pode ter ouvido
                                             Capaz de ouvir e entender estrelas"
                                                          Olavo Bilac

Poema de Camões


Luís de Camões – Desconcerto do Mundo
Os bons vi sempre passar
no mundo graves tormentos;
e, para mais m´espantar,
os maus vi sempre nadar
em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
o bem tão mal ordenado,
fui mau, mas fui castigado:
Assi que, só para mim
anda o mundo concertado.

Luís Vaz de Camões (1517 e 1524(?) – Lisboa, 10/6/1580)
Um dos maiores poetas portugueses, autor d´Os Lusíadas, obra conhecida universalmente.